IA na Igreja: Dom Valdir defende uso ético focado na evangelização
- 20/04/2026
Presidente da Comissão para a Comunicação ressalta que a Igreja deve dar o exemplo no mundo digital, combatendo a manipulação e priorizando o valor humano
Thiago Coutinho
Enviado especial a Aparecida (SP)

Para Dom Valdir, a inteligência artificial pode ser um ótimo instrumento para a evangelização / Foto: Daniel Xavier
“O problema não é a tecnologia, mas como ela é utilizada”. Esta foi a definição de Dom Valdir José Castro, presidente da Comissão Episcopal para a Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), quando questionado acerca da importância e da maneira como a inteligência artificial (IA) pode ser aplicada em âmbito eclesiástico. O bispo participa da 62ª Assembleia Geral da CNBB e conversou com a equipe do Jornalismo Canção Nova.
“A inteligência artificial é positiva”, prosseguiu o sacerdote. “É a continuidade do próprio progresso humano. Claro que antes de tudo, para nós, a verdade é Jesus, que é o caminho. O problema não é a tecnologia, mas é como ela é usada. E para a Igreja, a utilização é para evangelizar, é para anunciar Jesus e os valores do Evangelho”, ponderou atentamente.
Critérios
É importante, de acordo com Dom Valdir, que haja critérios para que a IA seja posta em prática. É preciso lançar mão do recurso com parcimônia e astúcia, a fim de otimizar o trabalho humano, não substituí-lo. “A Igreja não consegue garantir isso”, lamentou. “Mas, pode haver critérios para que seja bem utilizada e não caia nesse risco de manipulação. Orientar a produção, por exemplo”.
Sob esta ótica, o bispo reforçou a mensagem do Papa Leão XIV para o Dia Mundial das Comunicações, publicada em janeiro: preservar rostos e vozes. “Porque o que temos visto com a IA no campo da comunicação é uma manipulação”, lamentou o presidente da Comissão Episcopal para a Comunicação da CNBB. “Às vezes a gente olhando certos vídeos, olhando certas publicações e postagens, a gente já não sabe mais o que é verdade e o que é mentira. As pessoas estão deturpando gratuitamente a realidade”.
Transparência e responsabilidade
Neste cenário, é imperativo que a Igreja promova a transparência e a responsabilidade do interesse existencial. “A Igreja sempre utilizou a comunicação a serviço da evangelização, desde a comunicação oral, a comunicação por meio da imprensa, do rádio, da televisão, do cinema. O mundo digital chegou e a Igreja também está inserida nele. E o seu papel não é só denunciar [o mau uso], mas também dar exemplo. E é pelo próprio uso que deve fazer isso”, detalhou.
Para isso, é necessário que haja a valorização do ser humano à luz do que ensina o Evangelho. “A partir desta visão, precisamos levar a verdade, colocar desafios positivos na construção de um mundo melhor. Acho que por meio do próprio testemunho nosso e da nossa forma de fazer comunicação. Acho que é aí que está o diferencial”, finalizou.
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