“Você não é a sua dor”: missionários falam sobre fé diante do luto
- 31/10/2026
Na manhã deste sábado, 31, o Acampamento “A Cura dos Traumas da Morte” trouxe uma reflexão centrada no acolhimento da dor, no consolo e na esperança no céu
Julia Beck
Da Redação

Wanderson Moreira e Diácono Nelsinho Corrêa /Foto: Reprodução TV Canção Nova
As pregações da manhã deste sábado, 31, no Acampamento “A Cura dos Traumas da Morte”, que acontece na sede da Comunidade Canção Nova, em Cachoeira Paulista (SP), com transmissão pela TV Canção Nova, convidaram os fiéis a refletir sobre a experiência da perda e o caminho de fé diante da dor.
Na primeira pregação do dia, o missionário da Comunidade Canção Nova Wanderson Moreira refletiu sobre a dificuldade humana de lidar com a finitude e destacou a confiança em Deus como caminho para atravessar o sofrimento e seguir adiante.
“Não se perturbe o vosso coração”
A reflexão partiu do Evangelho de São João: “Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim” (Jo 14,1). Segundo o missionário, mesmo para quem tem fé, é difícil lidar com os diferentes “fins” da vida, especialmente com a morte de uma pessoa amada.
Wanderson explicou que a perda pode fazer com que a pessoa se sinta fragmentada. É nesse momento que Cristo convida à fé e oferece a paz capaz de sustentar quem sofre e devolver a inteireza perdida pela dor.
Para o missionário, atravessar o luto não significa ignorar o sofrimento, mas acolhê-lo e reconhecer a própria fragilidade. Nesse período, frases prontas nem sempre ajudam. É preciso dar espaço à dor e também aprender a permanecer ao lado de quem sofre, mesmo sem saber o que dizer.
Ao recordar a passagem em que “Jesus chorou” (Jo 11,35), Wanderson ressaltou que o choro não é sinal de fraqueza, mas expressão da importância daquilo que foi vivido. “A dor é sempre uma passagem”, afirmou.
“Você está com dor, mas você não é a sua dor”, reforçou. Fazendo referência à ressurreição de Lázaro e ao chamado de Jesus — “Vem para fora” —, o missionário incentivou os participantes a seguirem adiante, sustentados pela esperança cristã na vida eterna. “Confia no Céu”, concluiu.
“O Espírito Santo é consolador”
Na segunda pregação da manhã, o diácono Nelsinho Corrêa, missionário da Canção Nova, também falou sobre a experiência do luto a partir de situações vividas por ele. Ao recordar a morte de familiares e amigos, convidou os fiéis a buscarem no Espírito Santo o consolo diante da ausência de quem partiu.
“O Espírito Santo é consolador”, afirmou, antes de conduzir uma oração pelas pessoas que enfrentam a dor do luto.
Nelsinho também recordou a morte do irmão, que faleceu apenas 21 dias após descobrir uma doença. A experiência, segundo ele, reforçou a importância de não adiar o amor e a reconciliação. “Quem quer ser curado dos traumas da morte comece a amar hoje, perdoar hoje, não deixe para amanhã. Quem falou que vai ter amanhã?”, questionou.
Assim como Wanderson, o diácono recordou o versículo “Jesus chorou” (Jo 11,35) para destacar que a manifestação da dor não significa ausência de fé. “Na hora do sofrimento, choro nunca foi falta de fé, mas amor”, afirmou.
Ao longo da pregação, Nelsinho interpretou algumas de suas composições ligadas à experiência da perda e da saudade, entre elas “Quem me segurou foi Deus” e “Saudade”. Ele também falou sobre a canção “Dor sem nome” e ressaltou que a fé não elimina a dor provocada pela morte, mas oferece uma esperança que ultrapassa a vida terrena.
Nesse contexto, o missionário recordou uma frase de São Carlo Acutis: “Nossa meta é o infinito, não o finito. O Céu nos espera!”.
Fé diante da perda de uma filha
A manhã também contou com o testemunho do casal Juliano e Octacília, que perdeu uma filha há um ano e oito meses, vítima de câncer.
Eles relataram a revolta vivida após a morte, mas também o caminho de fé percorrido a partir do testemunho deixado pela própria filha, que enfrentou a doença sustentada pela devoção e confiança em Deus. Antes de falecer, ela ainda pôde participar do casamento religioso dos pais.
“Todo esse amor a Deus transformou nosso coração”, testemunhou Octacília. Ao falar sobre o processo de aceitar a partida da filha, acrescentou: “Diante de tanto sofrimento, precisei, por amor, entregá-la”.

uliano e Octacília com os filhos durante testemunho na Canção Nova; Filha de Juliano e Octacília que faleceu há um ano e oito meses /Fotos: Reprodução TV Canção Nova
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